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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Artistas…

O que significa a palavra ‘artista’? Sabemos todos que muitas vezes ela é utilizada para designar atores, músicos e etc. Mas poucas vezes ela quer dizer qualidade…

Polvilhos e Polvilhas,
Antes de qualquer análise resolvi consultar papai (meu e dos burros) Houaiss, eis o que ele tem a dizer da palavra ‘artista’:
 1 aquele que estuda ou se dedica às belas-artes e/ou delas faz profissão;
2  aquele que tem o sentimento ou o gosto pelas artes;
3  aquele que interpreta papéis em teatro, cinema, televisão ou rádio; ator;
4    aquele que é dotado de habilidades ou particularidades físicas especiais e as exibe em circos, feiras etc;
5    aquele que é exímio no desempenho de seu ofício;
6    operário ou artesão que trabalha em determinados ofícios; artífice;
Ele continua, mas está bom não é?

sábado, 3 de outubro de 2009

Quem (e o quê) lê no Brasil?

Estava eu em meu lugar, veio o Hordones a me chatear... Brincadeiras à parte o blog do sujeito aí é muito batuta, tem indicações legais sobre como incrementar seu blog... Mas escreveu um post a respeito da leitura no Brasil, com a reclamação, comum, de que aqui em se plantando tudo dá, menos leitores...



Pode até ser que seja isso mesmo, muito embora alguns dados (inclusive já citados por mim aqui ) mostrem que o número de leitores no Brasil tem (assim sem acento hoje, já que até 2012 é opcional) crescido de forma constante...



O número de cópias vendidas daquela saga (que eu achei um porrezinho) Crepúsculo e etc. comprovam também, e me levam ao cerne da 'questã'.



Mais do que não ler o povo brasileiro não sabe O QUE LER. Sim, é isso mesmo. Porque não é a toa que os livros de auto-ajuda crescem em vendas, máquinas de se vender livros nos metrôs paulistanos também mostram que leitores há!



Acho um erro, meu caríssimo leitor e leitora, dizer que no Brasil não se lê. E vocês podem até achincalhar meu argumento mas...



Peguemos o número de novos cristãos (falo dos 'evangélicos'). Enorme, concordam? Basta dizer que esta religião, se é ou não séria deixo a cargo das senhoras e dos senhores, comprou todos, eu disse TODOS os cinemas 'de rua' de Buenos Aires; isso quer dizer que não há cinemas em Buenos Aires? Não. Quer dizer que não há cinemas que não sejam de grandes marcas como as que você certamente conhece.



E o kiko? Dirá o leitor mais aflito. O kiko, caro leitor, está que estes seres humanos lêem (aqui com acento para dar uma variadinha) a Bíblia. Não apenas a lêem como tomam aulas sobre a Bíblia. Ok, você dirá não é exatamente literatura... mas aí eu respondo com o já famigerado (por mim ao menos) artigo sobre Macabeus, Macabéia e Macbeth .



Sim, meu polvinho. Pegue o amigo do Raul, o livro 'O Segredo' entre tantos outros exemplos e me digam que não conhece uma alma que a tenha lido?



É. Pois é. É o que eu sempre digo. Não adianta reclamar que as pessoas não lêem se não dermos base para que elas leiam... E isso não vem com Machado de Assis só na época do vestibular, vem com a formação de bons professores em faculdades melhores que Unip (que, tadinha, sempre vira exemplo de tudo...).



Mas esta também já outra turrada, que fica para outro dia...



Abrejos

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Precisa-se de atores para trabalhar de graça...

Atores de teatro, bem como atrizes de teatro com toda certeza já ouviram proposta semelhante. Trabalhar de graça é crime? Pedir para que trabalhem de graça é? Atores e Atrizes devem se submeter a tais situações? O tema não é tão simples como aparenta e costuma gerar certa polêmica...



PRECISA-SE DE ATORES / ATRIZES para trabalho assim e assado em tais e tais dias. O trabalho não será remunerado porém há ajuda de custo para transporte e alimentação...



O aviso acima pode parecer comum, mas não deveria. Sim, minha posição é totalmente contrária.



Imaginem a seguinte situação:



Um dentista (sempre uso dentistas como exemplo) recém formado, e, portanto ainda sem clientes, resolve abrir seu consultório. A primeira coisa que faz é colocar um anúncio pedindo:



- Faxineira

- Secretária

- Dois assistentes



Todos para iniciarem os trabalhos gratuitamente, paga-se, claro, o transporte e alimentação, mas deixa claro que a situação é só no começo, até que ganhar clientela.



NENHUM. Repito NENHUM ser humano aparecerá. Ainda mais se houver uma entrevista para o emprego. Então porque é que os atores e atrizes devem se submeter a isso?



É simplesmente um absurdo que alguém ache NORMAL que se trabalhe de graça.



Os argumentos a favor são sempre variações do mesmo tema:



- Produções pequenas, cineastas iniciantes etc. etc.



Oras bolas e carambolinhas, as produções pequenas não tem de pagar cenário, figurino? Ou tudo brota do chão (é certo que há inúmeros casos de que brotem dos atores mesmo)? Cineastas iniciantes não pagam absolutamente nada para ninguém? DU-VI-DO.



TCC não precisa pagar maquiagem, figurino, cenário, locação? Oras, inclua-se também os gastos com atores. Ou que não se exijam atores. Que se utilizem de estudantes de teatro (repare que não disse a idade), formandos e afins...



Ser ator ou atriz no Brasil É UMA PROFISSÃO. Não se pode, simplesmente aceitar o argumento de "Amor pela Arte". Amor pela arte devem ter todos envolvidos na arte, mas o salário nada tem com isso. Absurdo ainda maior é existir TESTES para trabalho sem remuneração.



ATORES E ATRIZES ACORDEM!!! É preciso se dar o devido valor, ou ninguém mais o fará. Meu dentista (ótimo por sinal) adora o que faz. A ponto de me atender aos sábados pela manhã, pelo motivo único de que eu não posso em nenhum outro dia. Mas ele nunca deixou de me cobrar por isso. E ESTÁ CERTÍSSIMO.



Parem com essa baboseira de trabalho pelo amor a arte e afins... Ou paguem seus aluguéis com amor.



E tenho dito.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Judas Macabeu, Macbeth e Macabéia...

Sempre pensei que uma coisa tivesse a ver com a outra... Macabeus, Macbeth e Macabéia? Que demônios teriam a ver uns com outros?!?! Macabeus, Macabéia, Macbeth... E não é que tem mesmo a ver? Está certo que os dois últimos são um tanto quanto contraditórios, não são exatamente o exemplo de heróis... mas vamos lá...

Primeiro devo me confessar contar que fui Coroinha na época de escola. Sim. Ok, mudemos de assunto.



Primeiro devo contar um pouco da história de Judas Macabeu (e seus macabeuzinhos, digo, judeus): (Macabeus cp 5 vers 1 em diante, é, pois é...)



Começamos a história meio do meio, posto que é a bíblia e não serei eu que vou imitar o Cid Moreira, está certo? Muito bem...



Resolveram acabar (na minha bíblia está exterminar) com a raça dos descendentes de Jacó. Judas, que não é bobo nem nada (e parece muito o Aquiles) resolveu tomar uma atitude um tanto quanto drástica. Eis que para salvar seu polvinho ele desata a matar todos num estilo bem Chuky Norris (que deus me proteja dele) e simplesmente mata a galera toda.



Bom, ao terminar a matança (lá no versículo 68, gente vale a pena é um carnificina só...) ele simplesmente retorna com um:





68. Judas voltou para Azot, na terra dos estrangeiros, derrubou seus altares, queimou seus ídolos, sujeitou suas cidades à pilhagem e em seguida voltou para a terra de Judá.



Beleza? Simples assim...



Tá, e daí? Ok, da história do Macbeth você manja né? Se não manja clica aqui (e se envergonhe, até a wikipédia sabe...)



Pois é um cara que para ser rei simplesmente assassina o rei e se acha superior às leis (não estou xingando judeu nenhum, deixei claro, lá em cima, que havia uma inversão)  e que conclui, por conta de uma revelação (no caso com bruxas) que não pode ser morto por nenhum homem saído de uma mulher e que nada o mataria enquanto a floresta não se mover.



No final a coisa se inverte e ele é morto por um homem que nasceu de cesária (coisas de Shakespeare) e um exército camuflado faz parecer de longe que a floresta (é bosque na verdade) está se movendo.



Os dois querem conquistar um reino. Ambos usam da força física para isso, um está com a razão e outro não (se você for judeu ou católico, claro, porque se for um descendente de Esaú vai me xingar a vida toda). Ambos não tem um "círculo familiar" (um tem o irmão e outro a esposa) e por aí podemos seguir associando...



Mas e a Macabéia... Ora, a esta altura do campeonato você já está pra lá de ciente que ela não tinha família e também buscava conquistar seu reino sua hora de estrela. Não mata ninguém, muito pelo contrário sente assim uma coisa por dentro e chega a pedir ajuda do médico: você não tem uma aspirina? To com uma dor aqui no peito, uma angústia...



Judas Macabeu consegue seu reino. Macbeth consegue por pouquíssimo tempo. Macabéia não consegue.



O mesmo tipo de associação pode ser feita para a Ilíada, A Divina Comédia e Os Lusíadas, por exemplo...



Mas essa aí já é uma outra turrada...

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Como superar o Heath Ledger? (spoiler)

Polvinho e polvinhas, os mais sagazes já puderam perceber que sou um tanto fanático pelo personagem Coringa / Joker do Batman certo? Isso vai muito além da sensacional / estupenda / maravilhosa atuação do nosso ex-colega (não eu não “vejo gente morta”) Heath Ledger na última filmagem da série...







A questão vai além, vai exatamente da questão do Caos... A cena em que Heathe Ledger  / Joker / Coringa queima a sua parte do dinheiro só para deixar claro que não estava afim do dinheiro é simplesmente impagável. O negócio é mesmo ver o mundo pegar fogo...





E quem há de discutir que o mundo precisa mesmo pegar fogo ? Eu até diria que seria bom inundar a bagaça toda e recomeçar mas a idéia me pareceu um tanto antiquada e batida... Enfim...





A questão é muito mais profunda... Um herói como o Batman que vive dividido entre fazer justiça e  seguir a justiça me parece também das melhores. Não  é a toa que tenho essa obsessão pelo caos. O mundo atual é um caos....





Imagine pessoas que sabem quem é Mara Maravilha e não sabem quem foi Hesíodo?!?!  Claro que não é seu caso, já nos informamos aqui mesmo de quem foi esse tal Hesíodo...





Imagine pessoas que consideram Dado Dolabella um ídolo e que, de fato, pagaram para ver Vera Fischer (já com certa idade) nua na playboy?? Como diz o outro páre o mundo que eu quero descer …





Mas enfim, o post é sobre o Joker...  Imagine um vilão que simplesmente não quer dinheiro?! Não pede nada em troca de não explodir alguns reféns, como na cena do submarino? Que apenas quer mostrar que o mundo fede mesmo...





Este é o retrato excelente criado no último filme... E que parece que não terá fim nunca, pois haverá sempre alguém para lembrar aquele impagável papel que elegeu Heath Ledger como ator concorrido e que, infelizmente, não pode colher os louros (ao menos apagou a imagem de cowboy...)





Mas ele está para ser superado, dizem... Alfred, o mordomo revelou:

 

"Eu estava com um executivo da Warner e disse: 'vamos fazer outro (filme do Batman)? Ele disse que sim e eu perguntei: 'como vamos superar Heath (Ledger, o Coringa)'? Ele falou: 'Com Johnny Depp como o Charada e Philip Seymour Hoffman como o Pinguim".





Tá aí um filme que não perderei...

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Nenhuma nudez será castigada

Tiazinha nua. Dani Suzuki nua. Vera Fischer nua. Juliana Knust nua. Juliana Paes nua. Entre tantas outras... E alguém lembra de algum ator nu? Só a nudez feminina é que dá dinheiro?

É isso aí meu polvinho. Vamos todos ficar peladões! Sim, porque ao que parece há um certo vazio no mercado de nús ar(u)tísticos.  Elas topam qualquer coisa minha gente!



Depois de tantas bundas femininas. Depois de tantos peitos, peitinhos e peitões, é chegada a hora do Galo (pegaram o trocadilho?)! Pois se "toda nudez será castigada" é bom que se aproveite enquanto ela é premiada!



Que castigo teve Vera Fischer? Tá bom, melhor usar outro exemplo...



O fato é que atrizes nuas enchem mesmo a tela. E preparem-se pois Zé Mayer está aí! Mais nudez está por vir! E vamos encher a tela de salivas e babações (DE OVO né gente?!). Pois quando uma atriz fica nua o país para! E quando a gente pára o mundo pára com a gente...



Parei...



Não dá para ser engraçado. Mulheres deste Brasil varonil! Exijam! Homens nus já! Eu mesmo sou contra, mas afinal, justiça é justiça e não se fala mais nisso! Até porque eu mesmo faço questão de ficar nú... assim que me arrumarem um cachê parecido com aquelas que já citei...



E não quero mais ouvir reclamações... o teatro não dá dinheiro?



FIQUEMOS NÚS MINHA GENTE!



Mas assinem o contrato antes, esse povo costuma ser meio mesquinho...

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Analfabetismo Cultural e o vestibular...

Ziraldo, em seu blog tem feito exaustivamente uma campanha intitulada Ler é mais importante do que estudar e, de fato, eu sou obrigado a concordar. Primeiro pelo motivo que ele mesmo apresenta não é possível estudar sem saber ler, fato indiscutível. Mas também porque a educação formal hoje, é baseada em pontos não muito claros. Ou você já estudou dramaturgia na escola? Estéticas de dança? Música?



Ziraldo, sim,  ele mesmo está com uma campanha que merece ser apoiada.O pior é saber que existem pessoas que são incapazes de entender a importância de uma boa leitura...



Está é uma das imagens que ele colocou em seu blog (link em cima e na seção "Vale a pena").



E para mim explica muito bem o porque de tanta indignação por parte dos pseudo-professores país afora.



Sendo incapazes de compreender as vantagens de um bom filme, ou uma boa peça de teatro, acabam também, sendo incapazes de entender porque é que ler um bom livro é também como um filme.



E eu continuo na minha incansável campanha (aparentemente sem apoio dos meus queridos leitores  e / ou leitoras) em favor do ensino da arte nas escolas deste país.



Mais ainda, já disse, luto pela imposição de escolas públicas de arte. Escola pública de teatro, cinema, e cultura em geral! E desde de pequenos!! (E não se esqueçam, ajudem a ELT!! É sério...)



Porque enquanto lutarmos pelas migalhas ganharemos farelos...



Ziraldo tem total razão, o povo precisa de cultura, de leitura... O ensino voltado ao vestibular é pornografia pura, como a tiazinha nua, ou a dani suzuki peladona ou o Briatori na F1ou sei lá o Zé Mayer em plena novela das 21hs!!



E tenho dito!

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Direitos Autorais, dá pra viver deles?

Em matéria do jornal Valor Econômico lê-se uma frase de Paula Lavigne: "E quem é só compositor? (...) 90% da receita de um cantor, hoje, vem de shows". Resolvi ver se era isso mesmo... se as novas mídias estavam matando os cantores ou a indústria fonográfica, aí aproveitei e vi os de livro, os de teatro...





Muito bem coleguinhas,



Eis que me deparo subitamente com uma matéria do já famigerado periódico "Valor Econômico" (notem que leio esta bagaça...) que fala de cultura. É sempre bom desconfiar dos periódicos (eu mesmo sigo o que diz o Sepultura, banda de Heavy Metal, "Don't, don't believe what you  see! Don't, don't believe what you read") especialmente os que são voltados aos empresários.



Mas eu dizia... ah, sim, dizia que estava eu a ler o tal periódico, que, aos finais de semana, tem um caderno voltado à cultura. Eis que me deparo com  uma matéria dizendo basicamente que hoje em dia os empresários de artistas famosos não têm (em 2012 eu estarei lascado com os acentos) mais tempo de descansar, pesquisar e coisa e tal...(coitadinhos...) ; é preciso que se renovem a todo instante.



Citam a coitadinha da Ivete Sangalo que nem grávida deve descansar seu empresário, já que lançará um filme (?!?!) em animação sobre a autora ("Ivete Stellar e a Pedra da Luz", será que é evangélico argh) e deverá produzir alguns clipes também...



Depois de muito chorar sobre a situação do grande trabalhador Jesus Sangalo (irmão de Ivetinha) que, não por acaso, é empresário da moça, fiquei a pensar na afirmação supra-citada (vai demorar pra chegar 2012) sobre os direitos autorais...



E em minhas pesquisas não pude encontrar (BURRO!) uma norma que diga o valor exato da porcentagem (ou percentagem, ai meu jesuisinho...) que as gravadoras no Brasil deveriam repassar aos compositores, e sempre ouvi falar que músico ganha mesmo é nos shows...



Bem, o site HSW define as porcentagens (que se dane vai assim mesmo) para os EUA:



"Atualmente, é de US$ 0,08 por músicas de cinco minutos ou menos e de US$ 0,0155 por minuto para composições de tempo superior a cinco minutos. Então uma composição que dura 8 minutos arrecadará US$ 0,124 para cada gravação vendida"



Uau! O Pink Floyd ia ser o único a lucrar dessa forma! Calma, pense que são 8 centavinhos por música... Um cd hoje tem, em média 12 músicas de 3 minutos. O que significa lucro de 12 x 8 centavinhos que dá mais ou menos U$0,96 por cd!



Se você vender 1 milhão de cópias ganha quase 1 milhão certo? Errado. O site supra-citado diz que há espaço para negociação e que não é incomum as gravadoras acertarem pagar 75% do valor da legislação, ou seja 1 milhão menos 25% que deve dar U$750.000,00 !



Ok, este é o valor para quem GRAVOU o disco! E por lá, aqui deve ser mais baixo (se tiver a informação correta por favor me desminta nos comentários!)...



O compositor ganhar cerca de 8% a 25% do valor de varejo (lembre-se não do cd, mas das músicas dele dentro do cd).



Ah, não me venha com essa de que o compositor vai morrer de fome por causa dos torrents ou do mp3 ele já morre de fome!!



No teatro o autor ganha um preço que é combinado com ele + 10% da bilheteria (pode rir, não tem problema) e tem um desconto ainda da SBAT ou seja, a menos que você seja detentor de direitos autorais de alguém bem famoso não ganha a vida com isso, aliás, conheço um que tem direitos autorais de uma famosa e também não ganharia a vida com isso...



No entanto, não são poucas as vezes em que vemos produtores (argh!) mendigando direitos autorais, ou ainda sonegando-os.



No caso dos livros o normal é que o autor (exceção aos "Paulo Coelho" da vida) ganhe 8% sobre o valor de capa dos livros. Valor de capa não é aquele que você gasta para ter o livro, mas o que a editora / distribuidora vende à livraria... Ou seja, quer ganhar dinheiro com livro? Venda você mesmo o seu, tem um exemplo bom no ("www.sobrehomenseveleiros.com.br" , site que, por sinal, eu fiz...) onde o autor escreveu e revende ele mesmo os livros...



Bom, livro, música, teatro... Nem que você seja autor de todas essas obras e consiga sucesso com todas elas (se você consegue isso, por favor me diga como...) conseguirá viver de direitos autorais... mas pode sempre ficar famoso e aí tudo muda...



No caso dos livros é mais fácil, siga os exemplos: Paulo Coelho, Augusto Curi e por aí vai...



Prefiro meu bloguinho...

Manoel Carlos

Em entrevista ao jornal "O Estado de São Paulo" o famoso roteirista de  novelas, Manoel Carlos, diz que "Realidade não se discute" e ainda revela porque a protagonista da novela não poderia ser atriz: "teria que fazer novelas e na TV Globo, onde mais, na Record?"...

Para quem não conseguiu ainda engolir o post "Quanto custa um ator?" Manoel Carlos deixa bem claro o que é ser ator em nosso país.



Em sua entrevista M.C (se me permitem a intimidade) soltou:





"Primeiro, pensei que ela seria atriz. Mas a atriz teria de fazer novela, e na TV Globo – onde mais seria, na Record? Então, cortei a atriz."



Eu também já cortei as novelas da minha vida então te perdôo... O fato é que a profissão não existe. Ela é um passatempo para alguns e uma aventura para outros. Alguns poucos "Indiana Joneses" (ok, foi péssima) tem a sorte de ter um QI e / ou talento.



Não só o fato do autor renomado de novelas, Manoel Carlos, simplesmente esquecer que uma atriz pode fazer teatro (pode??) mas muitos outros fatos...



Não vou fazer o favor de enumerar aqui, mas peguem o Possível Fechamento da ELT e da ELCV (e que a Lilian não me mate...), peguem o número de DRTs que são vendidos concedidos por aí, junte tudo isso ao número de pagantes da bilheteria de sua peça (se quiser ser realista desconsidere os pagantes que você intimou convidou) mais o... ah, deixa pra lá...



O problema da entrevista é que nosso querido produtor de teatro autor de novelas finge não saber a importância de dar um papel de protagonista para uma atriz negra. Diz ele que é a primeira jovem mas que não pensou no fato dela ser negra, que ela podia até ser (argh!) japonesa que não haveria problema...



Então tá Manolozinho (já estamos íntimos a esta altura dos acontecimentos)...



Como bem você disse: "a ficção precisa fazer sentido, a realidade não"



Falou e disse...         

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Sheila Mello e o teatro

Sheila Mello resolveu exigir fazer novela para participar do "A Fazenda 2", não sei se é para elogiar ou para criticar...

 Você sabia que aquela rede de televisão que é dona das franquias religiosas que mais crescem no mundo está produzindo mais um reality show? Você sabia que, convidada a participar, Sheila Mello exigiu que ganhasse também (além do cachê) papel nas próximas novelas da emissora? (link)



Agora pare e pense: Sheila Mello precisa exigir para que consiga emprego, imagine você que não é gostosa famosa(o) ?



Não sei se a atitude é de se elogiar ou criticar para ser sincero. Porque fazer um reality show é coisa que não faço (e digo isso já tendo recusado de participar de um duma emissora menorzinha, aquela de três letras...), ainda que o prêmio fosse ser protagonista de novela (como era o tal recusado...).



Por outro lado, exigir um trabalho de verdade depois de participar dessas férias remuneradas parece uma atitude louvável.



Não vou comentar sobre o nível técnico da loira em questão (a vi atuar numa única peça que já havia montado e meu avô sempre dizia: "se você não tem nada de bom a dizer sobre alguém, fique quieto"), porque acho que não vem ao caso.



Uma ex-loira do tchan querendo atuar pode ser normal. Uma ex-loira do tchan que procurou ter aulas de teatro não é. E não importa se as aulas foram forçadas pelo antigo patrão (daquela emissora de três letras) que é inteligente ou não. O fato é que a moçoila em questão tentou se profissionalizar, estudou (a escola não é das melhores mas foi onde estudei também...) um pouco, e está na luta.



Até ela já descobriu que fazer sucesso pelo talento é bem mais difícil do que se você "puser a mão no joelho dar uma agachadinha e etc.". Ok, poucos são os realmente talentosos, muitos são os medíocres e a grande maioria não consegue pronunciar Goeth nem sabem quem foi Artaud.



Mas quantos professores medíocres têm um excelente emprego? Quantos péssimos engenheiros ganham mais do que toda a bilheteria de um ano da sua última peça? Na verdade o mercado nem existe se estamos falando de teatro. O mercado publicitário existe. O televisivo semi-existe (dois empregadores formam um mercado?).



Enfim, aguardemos, porque deus ainda não assinou o tal contrato e a ex-loira do tchan ainda não tem emprego garantido...

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Tempo e Cultura

Sim, São Paulo se afogou ontem. Sim, eu fui um dos afogados (mas não foi na favela da maré, nem estava com lanterna nenhuma). E sim, o título do post é um trocadilho. A questão que será discutida é bem simples, quanto tempo nos resta para a cultura?

Sim, São Paulo se afogou ontem. Sim, eu fui um dos afogados (mas não foi na favela da maré, nem estava com lanterna nenhuma). E sim, o título do post é um trocadilho. A questão que será discutida é bem simples, quanto tempo nos resta para a cultura?



Ganhei forçosas quatro horas de puro ócio. Nada a reclamar, a não ser o preço de um livro que acabei comprando porque bobo não sou e logo vi que ficaria horas dentro do meu nem tão confortável carrinho. Útil porém caro, o livro do mestre Sábato ("Panorama do Teatro Brasileiro") me deu um clique.



Quantas horas as pessoas têm para gastar com uma boa e velha leitura? (ou com uma nova, leitura virtual, sem discriminações) O ponto é que, envolto ao caos como estava tive que ler. Não me restava opção. E foi bom. E me lembrei de como é difícil ler hoje em dia. Não só porque o preço do livro é um tanto abusivo (gastei 50 reais num livro escrito em 1962, numa re-edição de 1992) e tende a ficar ainda mais, mas porque a concorrência é enorme.



Saibam os senhores e senhoras que nada tenho contra as novas mídias (seria um tanto controverso dizer que não, posto que tenho twitter, blog e msn...). Dito isso...



É complicado concentrar toda a nossa leitura em cima de blogs e links do twitter. Complicado não pelo fato de não sabermos quem está escrevendo do outro lado (sabemos apenas até a página 2), mas porque acabamos por abandonar os clássicos. Sem os clássicos não sabemos o que foi feito e sem saber disso não temos como mudar nada, certo? (talvez...)



Então o tempo que temos já é pequeno, e ele faz competição com nossa novela, filme, teatro, minissérie, twitter, blogs e tantas outras coisas não menos interessantes.



Pensando nisso (será?) o governo federal resolveu criar um fundo para literatura. O  fundo seria investido em bibliotecas públicas, novos encontros literários além de feiras de livro. Mas veja como é bizarro o setor editorial brasileiro.



Para a criação do fundo o governo resolveu taxar em 1% o faturamento bruto de todas as empresas da cadeia produtiva de livros, leia-se: editoras, livrarias, revisores e etc. A esperança do governo é lucrar R$60 milhões (só?!).



Acontece que para que isso seja possível o governo em 2004 abateu dos preços dos livros os impostos PIS e Cofins. Segundo o próprio governo o setor produtivo deixou de contribuir com 100 milhões de reais. A desculpa é que com este dinheiro economizado o mesmo setor investiria os tais 1% em cultura.



Não se perca.



Segundo os empresários esta nova taxa (a primeira que citei) criaria uma cadeia de aumentos que, claro, chegaria aos nossos bolsos em aproximadamente 2,1 % do preço final do livro. Um aumento irrisório para meu livro de 50 reais que custaria agora R$51,05 (podem me corrigir devo ter errado na conta...).



Não fosse a estranha sensação de que para incentivar a cultura os livros ficariam mais caros nada de errado...



Mas esse valor precisa ser repassado? Veja, só a Bienal do Livro do RJ terá um aumento de investimento de 30%. Até que para quem está afogado na crise essa indústria arrisca bem não é não?



Por fim me deparo com a seguinte declaração no respeitado "Valor Econômico" do não menos respeitado (pelo menos até esta declaração) dono da rede de livrarias que mais cresce no país (e que, por isso, não precisa de jabá) o Sr. Pedro Herz:



"Qualquer forma de incentivo à leitura é bem-vinda, mas cá entre nós: se o presidente Lula passasse a frequentar livrarias com seus filhos e neto, essa prática teria um efeito muito maior do que qualquer imposto ou fundo inventado pelo governo."



É fato! Só não entendi porque ele não cobrou isso do FHC também, e assim me pareceu um tanto preconceituosa a afirmação.



Fato mesmo é que a indústria que se diz lutando para sobreviver está investindo 30% a mais num evento tradicional, e a principal livraria do país cresce em ritmo acelerado. Se bem que também é público e notório que em 2008 foram vendidos 19% menos livros que em 1998.



E durmam com este barulho.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Teatro e sua 'Missão'(?)

Há quem ache que o teatro deveria se pautar tal qual  Brecht, outros dizem que a arte não deve ter função nenhuma. Há um filme excelente sobre este assunto chamado "Mephistófolis" (ou algo assim, minha memória não é das melhores) onde um artista em plena Alemanha de Hitler precisa decidir se aceita ou não ser pago pelo serial killer Adolfzinho...

Colegas e coleguinhas,



Depois de um final de semana preguiçoso (e produtivo, vejam ...), pude ver duas coisas interessantes:



A primeira foi o famoso vídeo da Vanusa bêbeda cantando o hino nacional (ela jura que foi remédio para labirintite).

E a segunda foi a 'descoberta' do Belchior (que pra mim foi simplesmente uma jogada de marketing do Fantástico, faltou pauta, aí sumiram e acharam o cara...).





Aí fiquei pensando nessa idéia maluca de dignidade.



Oras bolas e carambolinhas é, de fato, muito engraçado assistir o vídeo (no final do post prometo 'linkar'), mas fico pensando o que a Vanusa deve sentir sabendo que mais de um milhão de pessoas assistiram aquilo. Por outro lado me pergunto o que leva alguém a cantar o hino nacional naquele estado (seja labirintite ou cirrose).



E por aí minha mente nada sã viajou. Até que me lembrei de um amigo francês que escreveu algo sobre "O Teatro e seu duplo". Onde discute a função do teatro. E me lembrei de todos aqueles chatos que falavam / falam que o teatro tem sua função.



Há quem ache que o teatro deveria se pautar tal qual  Brecht, outros dizem que a arte não deve ter função nenhuma. Há um filme excelente sobre este assunto chamado "Mephistófolis" (ou algo assim, minha memória não é das melhores) onde um artista em plena Alemanha de Hitler precisa decidir se aceita ou não ser pago pelo serial killer Adolfzinho.



Eu já fui mais radical, hoje penso que a arte e o teatro em geral não precisa, necessariamente, ter uma função social. Não acho que uma peça para ser boa precisa apresentar problemas e / ou soluções.



O cenário atual, no entanto, parece abdicar totalmente da dignidade. Não são poucas as peças ruins, em número maior ainda estão as semi-comédias onde a falta de texto, iluminação, direção, de atores e, às vezes, até de cenário fazem um público preguiçoso.



Porque os Zorras da vida são extremamente simples de serem feitos. Uma fórmula normalmente machista, baseada em clichês, chegando até mesmo a colocarem mulheres com pouca roupa para chamar público. Aí me pergunto de novo, e aquele negócio de dignidade?



Se me perguntarem eu acho que até isso aí tem sua função. O teatro (o verdadeiro) não precisa ter um função social. Pode falar do amor, da desilusão, pode até não falar de nada. Mas tem obrigação de educar o público.



Por educar o público entendo uma produção teatral com texto de verdade. Com protagonista, com tudo aquilo o que Aristóteles falava a respeito de reviravolta ou que negue tudo isso tal Moliére. Mas que faça questão de um diretor, uma iluminação, um cenário e, principalmente, de atores.



Eu não sou mico de circo! Eu penso, racionalizo! Eu até me pergunto se as falas que estou dizendo no teatro são coerentes. E aceito não concordar com elas. Mas deixo claro no contexto.



O teatro pode até não ter uma função. Mas sempre agirá em função de alguma coisa. Meu desejo é que fosse, no mínimo em função do próprio Teatro.



Ah, o vídeo da vanusa... procure no youtube por "Vanusa + hino nacional", mas juro que não recomendo.



em tempo: o blog vai mudar um pouco o layout, de forma a facilitar a leitura do conteúdo, no entanto, é possível (não é certo ainda) que se percam os comentários já feitos, minhas humildes desculpas caso isso ocorra

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Turrando: Escolas de Teatro

Muita gente vem me perguntando porque essa perseguição quanto às escolas de teatro.



A questão é mais ou menos simples. A maior parte das escolas funciona no sistema pagou-passou. Algumas vezes você precisa se esforçar muito para ser reprovado de semestre (a maioria é semestral).



Polvos e polvinhos,



Muita gente vem me perguntando porque essa perseguição quanto às escolas de teatro.



A questão é mais ou menos simples. A maior parte das escolas funciona no sistema pagou-passou. Algumas vezes você precisa se esforçar muito para ser reprovado de semestre (a maioria é semestral).



Se a escola aceita qualquer alma boa (de Setsuan?) e não reprova ninguém, você pode imaginar quantas almas se formam ao passarem 2, 3 anos. Todas essas almas boas saem com muita boa vontade, muita garra e pouquíssimo conhecimento, técnica e / ou habilidade.



Quando não é pior, saem sem saber o mínimo da história de sua própria profissão.



"Ah, o mercado se regula sozinho, para isso há testes."



Mentira. Simples assim. Como relatei (ou tentei pelo menos) no post "Quanto custa um ator" o que ocorre é que o mercado acaba selecionando pessoas (especialmente a televisão, cinema e a publicidade)que representem a si mesmas e não atores.



Como já disse no post supracitado isso acaba por baratear e sucatear a profissão, é só ver a quantidade de "atores" que se formam a cada ano.



Uma escola boa deve reprovar. Exigir. E o mais importante, oferecer conhecimento aos alunos. Mas normalmente a exigência é mais financeira.



O mercado não se regula sozinho. Na verdade o mercado nem existe se estamos falando de teatro. O mercado publicitário existe. O televisivo semi-existe (dois empregadores formam um mercado?). O cinematográfico existe. Mas sempre às custas de almas boas que gostem de atuar.



Não sou contra que "qualquer um" faça teatro. Sou contra um teatro que aceita qualquer um. Isso sim.



E não é o DRT que vai selecionar A ou B ou C, mas isso é tema para mais dois ou três posts...



ps: aposto que abaixo deste post vai aparecer escolas de teatro do nível que acabo de comentar, e aí vc me pergunta sobre a ética...

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Quanto custa um ator ?

R$ 1,00 ? R$ 10,00 ? R$100, 00 ? R$ 1.000,00? R$ 10.000,00?



A pergunta é você se espanta mais em ouvir de um ator que custa 1 real ou em um que custe dez mil reais?  Não existe resposta certa. O certo é que há mesmo quem pense que tanto faz um ator ou um "leigo".



R$ 1,00 ? R$ 10,00 ? R$100, 00 ? R$ 1.000,00? R$ 10.000,00?



A pergunta é você se espanta mais em ouvir de um ator que custa 1 real ou em um que custe dez mil reais?  Não existe resposta certa. O certo é que há mesmo quem pense que tanto faz um ator ou um "leigo".



E de fato, em boa parte das vezes, isso se torna real. Realidade.



Quem há de negar a importância de filmes como "Cidade de Deus", "Tropa de Elite" ? Quem há de negar o sucesso de tantas novelas, tantos Gianecchini, Juliana Paes, BBBs e afins?



A diferença entre um ator e um "pseudo-ator" é que um ator representa qualquer papel. Não é o caso de tantos globais (embora haja muita gente boa por lá) e não globais que conseguiram o sucesso de forma não técnica (entendam como quiserem).



No entanto, é bem mais barato se a máquina funcionar empregando esses não-atores. Explico-me:



Se você considerar a quantidade destes verá que temos em abundância. O que significa encontrar alguém que é o papel com muita facilidade. O que significa não precisar exigir um ator. O que faz com que o preço dos atores também abaixe.



Veja, não vou nem tocar no assunto "escolas de teatro" por achar vergonhoso demais.



Fato é que existem muitos atores ruins. Péssimos. Pior do que isso, existem muitos atores sem cultura. Por cultura não precisamos chegar a profundidade de entender, sacar um teatro do absurdo. Podemos nos limitar a chamar de cultura alguém que saiba quem foi Zé Renato, quem foi Paulo Autran (esse todo mundo conhece, mas só porque fez aquela cena das comidas que é reprisada mensalmente pelo Video-Show).



Inventaram o tal DRT para ajudar a selecionar os tais "atores". Mas aí re-inventaram (até 2010 posso usar hifenes, que se escreve assim mesmo, apesar de ter outro plural, o hifens, sem acento) as escolas de teatro.



E se pensarmos, em como foram e como são as mais tradicionais, aqui na terra da garoa só se salva, talvez, a EAD.



Por isso não se pode reclamar mesmo de seleções que pedem atores sem cachê (mas veja que alegria eles são legais o suficiente para pagar o transporte!!). Até porque o número de atores sem ator (e atrizes sem atriz) que aparece por aí é mesmo um "número sem número".



Por isso é possível que quando forem à feira no domingo próximo alguém grite:



"ATOR? QUANTO VALE? OU É POR KILO??"

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Globo e Record e Record e Globo

A história começa a gerar frutos interessantes. Se a Globo nasce da ditadura e de golpes em multi nacionais americanas, a Record cresce com o dinheiro dos fiéis (que só é ilícito porque não paga imposto) uma moralidade só.





"Muito além do Cidadão Kane"



Esse é o nome do documentário que conta um pouco da história limpa e transparente da nossa querida TV Globo. Esse é o nome do documentário que acaba de ser comprado pela não menos limpa e não menos transparente Rede Record.



A história começa a gerar frutos interessantes. Se a Globo nasce da ditadura e de golpes em multi nacionais americanas, a Record cresce com o dinheiro dos fiéis (que só é ilícito porque não paga imposto) uma moralidade só.



E enquanto os teatros continuarem vazios (exclusividade de quem não é global) salvo raras exceções de quem possui um teatro e/ou abdica daquilo que passageiramente chamamos de qualidade, mas que hoje em dia podemos chamar de caráter artístico, ou não chamamos de nada porque é isso que representa em larga escala.



Então quando começam as acusações de um lado e de outro, o melhor mesmo é ter a sagacidade de um Sílvio Santos que não entra na briga, mas faz um especial a respeito de si mesmo e mostra que esse tipo de baixaria não faz, apesar de fazer outros.



E não me venham com menos pior um do que o outro que como diz meu avô "Palavra, ética e honestidade não fazem curva, nem se desviam".



E você vê saída para viver do teatro?

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

A "Nova" Rouanet vem aí...

Muito que bem meu polvinho...

Eis que resolveram acordar pro óbvio.

(essa frase tem duplo sentido, faça um esforço que você chega lá)



Em matéria do Estadão (Jotabê Medeiros) lê-se o seguinte:



Muito que bem meu polvinho...

Eis que resolveram acordar pro óbvio.

(essa frase tem duplo sentido, faça um esforço que você chega lá)



Em matéria do Estadão (Jotabê Medeiros) lê-se o seguinte:

 

O secretário executivo do Ministério da Cultura, Alfredo Manevy, confirmou as mudanças apuradas pela reportagem, e acrescentou que a nova Lei Rouanet trará a palavra "critério" como um dos maiores símbolos da mudança. "Não havia essa palavra na Rouanet antiga. Isso serve para que não se crie um vazio duvidoso. Os critérios para a aprovação de um projeto estarão definidos na lei, e partem de exigências como acessibilidade, preço, a estratégia de oferecimento ao público do produto cultural. Preço, horário, local de apresentação: tudo isso vai pesar na análise do custo de um projeto que será abatido com dinheiro público", afirmou.



Recorrendo ao óbvio (não me submeto 'às genialidades' porque não me pertencem) fiquei me perguntando quanto tempo demoraram para perceber que uma lei precisa de critérios... Eu sou mesmo muito burro porque não consigo entender como é possível criar uma lei de amparo cultural e não pensar em critérios de seleção... Ou será que ele já exisitia?



Cá para mim tenho que não precisariam criar uma outra lei se ela vai dizer a mesma coisa. Mudança mesmo terá (??) quem avalia, e pode ser que os produtores que encaminhem projetos avaliem outros. Entenderam a genialidade? Não? É simples.



Você manda um projeto e recebe outro. Aprova ou não. Aí se der errado você pode culpar a sí mesmo! Fome Zero, Responsabilidade Zero! E todo mundo terá seu pedaço da pizza.



Criou-se o fundo para Artes Cênicas. Fundo para Literatura e Humanidades (não sei explicar, mas acho que livros sobre ETs ficaram de fora). O povo de cinema não ganhou nada na Rouanet mas ganhou cadeira cativa no Fundo Audiovisual (Ancinav para quê?).



E é isso aí! Acordaram para o óbvio! Se bem que a discussão é inútil porque ainda precisa passar pelo Congresso, e, normalmente, essas coisas não passam impunes...



abaixo uma lista (feita pelo Estadão) das 'principais mudanças':



ACESSIBILIDADE - Quanto menor for o preço do ingresso, maior a possibilidade de ser financiado pela nova lei. NOVOS TETOS - Além de manter a renúncia fiscal, chave da Lei Rouanet (Lei n.º 8.313) desde sua criação, em 1991, a nova legislação estabelece seis faixas de dedução do imposto de renda devido - 100% de abatimento e do mínimo de 30%, outras quatro novas faixas foram criadas (90%, 80%, 70% e 60%). 

NOVOS FUNDOS - Além dos fundos do audiovisual, patrimônio, artes, cultura e diversidade, haverá agora os fundos para artes cênicas e literatura e humanidades.

DOCUMENTÁRIOS E CURTAS - Setor reclamou de falta de atenção das políticas culturais e terá um conselho gestor separado no Fundo do Audiovisual. 

DIRIGISMO - Texto fala em veto à "análise subjetiva" e "garantia de impessoalidade".