quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Por quê os teatros estão vazios (parte2)

Continuando o post anterior, volto a comentar as razões pelas quais, humildemente acho serem as causas de tantas cadeiras vazias em nossos teatros...

Polvinhos e Polvões,



É com grande pesar que continuo a saga dos porques (reparem que escrevo cada qual à minha maneira, seguindo minha subjetividade, que, por vezes desafia a realidade) de tantas cadeiras vazias...



Na primeira parte falei um pouco da falta de políticas públicas culturais. E repito. Acho um erro incentivar somente quem faz arte, por vezes nos esquecendo daqueles que deveriam (?!) ser os mais importantes que são aqueles que compram os ingresssos (ou assistem gratuitamente).



É claro que algumas poucas ações estão sendo tomadas (o vale cultura é uma delas). Mas é pouco. Bem pouco.



Acredito também que o fato dos atores não darem-se o devido respeito ajuda e muito. Oras bolas e carambolinhas se não confiares em ti quem o fará? De todo o modo não é disso que pretendia falar...



Nosso querido leitor assíduo terá visto o comentário pertinente de outro leitor tão assíduo quanto no post anterior. O dono do táxi mais charmoso do Rio de Janeiro, apesar de lucrar com isso, reclama da falta de transportes públicos decentes em nosso país...



É claro que medidas pontuais estão sendo tomadas (finge). Em São Paulo depois da lei seca (a cultura continua ignorada) foi melhorado (foi?!) um pouco o sistema de transporte público, algumas raras linhas noturnas foram implantadas.



A cultura normalmente é feita nas noites de sexta. E aos finais de semana. Não é por acaso, penso eu. que são também os dias nos quais existem menos meios de locomoção (exceto, claro, os carros e táxis). O teatro vocês se lembram, geralmente ocorre de noite.



Mas se não me lembro do teatro. Ou ainda quando me lembro não tenho dinheiro para gastar. Ou quando lembro e tenho dinheiro não tenho como ir.



A resposta fica um pouco mais óbvia...

Porque os teatros estão vazios?

Porque os Teatros estão vazios? Não é novidade ver atores, produtores, diretores e etc. reclamando a falta de público na cena teatral brasileira. Não é nada raro observar em comunidades do orkut e afins gente gritando, esperneando que não consegue público para suas peças, por quê?

Colegas e Coleguinhas,



Faço a vocês a mais famigerada pergunta. A pergunta da qual nenhum ator sobrevive. Da qual nenhum de nós (não, a banda não...) deixa de ter sua própria teoria e, justamente por isso, acaba causando certo desconforto. Sem mais delongas:



POR QUÊ OS TEATROS ESTÃO VAZIOS?



Se você é ator, atriz, produtor ou executa alguma função qualquer no teatro brasileiro e não teve a glória (outros dirão inglória) fortuna de ter passado pela rede bobo Globo de televisão ou ainda a Record ou qualquer outra, sabe exatamente o tamanho do problema que temos de enfrentar.



Claro, se você, Antônio Fagundes (porque sempre ele né?!) está lendo meu querido bloguinho, sabe que esse é um problema que inexiste.



(falo, portanto, aos outros...)



O fato é que excluindo-se as exceções que confirmam a regra, pouquíssimas pessoas têm o hábito de freqüentar o teatro em nosso país. Normalmente as peças cheias de público estão assim ou por um famoso no elenco ou porque o público é composto basicamente de artistas (como no caso da querida praça Roosevelt em São Paulo).



As razões são as mais diversas, hoje, comentarei uma. Amanhã outra. E terminarei a semana com uma surpresinha.



Acredito numa conjuntura de fatores. Acredito, por exemplo, que o fato de não existir uma política pública priorizando a cultura em nossa cidade, em nosso estado nosso País de nada adiantará propagandas e mais propagandas, leis rouanet e etc.



O público precisa tomar gosto pela coisa. Para isso é preciso que se incentive o teatro (não como é feito atualmente, incentivando quem faz o teatro), que se incentive o público a IR ao teatro, ver TEATRO. Porque atualmente o povo quer mesmo é ver FAMOSOS no teatro.



E isso é ainda mais grave.



em tempo: o pontapé inicial será, talvez, dado agora com o Vale Cultura....

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Precisa-se de atores para trabalhar de graça...

Atores de teatro, bem como atrizes de teatro com toda certeza já ouviram proposta semelhante. Trabalhar de graça é crime? Pedir para que trabalhem de graça é? Atores e Atrizes devem se submeter a tais situações? O tema não é tão simples como aparenta e costuma gerar certa polêmica...



PRECISA-SE DE ATORES / ATRIZES para trabalho assim e assado em tais e tais dias. O trabalho não será remunerado porém há ajuda de custo para transporte e alimentação...



O aviso acima pode parecer comum, mas não deveria. Sim, minha posição é totalmente contrária.



Imaginem a seguinte situação:



Um dentista (sempre uso dentistas como exemplo) recém formado, e, portanto ainda sem clientes, resolve abrir seu consultório. A primeira coisa que faz é colocar um anúncio pedindo:



- Faxineira

- Secretária

- Dois assistentes



Todos para iniciarem os trabalhos gratuitamente, paga-se, claro, o transporte e alimentação, mas deixa claro que a situação é só no começo, até que ganhar clientela.



NENHUM. Repito NENHUM ser humano aparecerá. Ainda mais se houver uma entrevista para o emprego. Então porque é que os atores e atrizes devem se submeter a isso?



É simplesmente um absurdo que alguém ache NORMAL que se trabalhe de graça.



Os argumentos a favor são sempre variações do mesmo tema:



- Produções pequenas, cineastas iniciantes etc. etc.



Oras bolas e carambolinhas, as produções pequenas não tem de pagar cenário, figurino? Ou tudo brota do chão (é certo que há inúmeros casos de que brotem dos atores mesmo)? Cineastas iniciantes não pagam absolutamente nada para ninguém? DU-VI-DO.



TCC não precisa pagar maquiagem, figurino, cenário, locação? Oras, inclua-se também os gastos com atores. Ou que não se exijam atores. Que se utilizem de estudantes de teatro (repare que não disse a idade), formandos e afins...



Ser ator ou atriz no Brasil É UMA PROFISSÃO. Não se pode, simplesmente aceitar o argumento de "Amor pela Arte". Amor pela arte devem ter todos envolvidos na arte, mas o salário nada tem com isso. Absurdo ainda maior é existir TESTES para trabalho sem remuneração.



ATORES E ATRIZES ACORDEM!!! É preciso se dar o devido valor, ou ninguém mais o fará. Meu dentista (ótimo por sinal) adora o que faz. A ponto de me atender aos sábados pela manhã, pelo motivo único de que eu não posso em nenhum outro dia. Mas ele nunca deixou de me cobrar por isso. E ESTÁ CERTÍSSIMO.



Parem com essa baboseira de trabalho pelo amor a arte e afins... Ou paguem seus aluguéis com amor.



E tenho dito.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Enviar Currículo para a Globo?

Enviar currículo para a Globo ou não, eis a questão. Trabalhar ou não trabalhar na Globo? Eis a questão. Há quem jure de pés juntos que morre de fome mas não trabalha por lá... E há quem não trabalharia por lá mas trabalharia em outras emissoras... Há quem não sinta necessidade nem desta discussão...



Eu por minha vez penso que pouquíssimas pessoas teriam coragem de não aceitar, por exemplo um salário de 50 mil por mês. É claro que esta não é a média do que recebem os atores globais, especialmente se você não estiver na novela das oito nove.



A globo tem uma história que não se esquece, é bem verdade. É verdade também que poucas multi-nacionais teriam coragem de atirar a primeira pedra, como disse o outro. Mas poucas são tão sujas a ponto de terem ajudado a ditadura, ok, nem tão poucas assim...



Folha de São Paulo , Globo, Volkswagen, General Motors, Chrysler, Firestone, Philips e Constanta entre outras, também cresceram e ajudaram a ditadura. (até a Ultragás entrou no esquema, e quero ver vc ficar sem ela...)



A Record por sua vez, bem a record todo mundo sabe porque assiste a globo e ficou sabendo...



(para mais detalhes sobre o que penso de ambas clique aqui! )



Então o que nos resta? Não trabalhar em empresa nenhuma que tenha auxiliado a ditadura? É um caminho, que duvido que a maioria tenha coragem de seguir... mas o ponto principal não é este.



O ponto principal, em minha opinião, é exatamente o que é que deixamos que nos imponha o empregador. Exemplifico-me:



Não teria problemas em trabalhar na / com a Globo. Mas JAMAIS eu disse JAMAIS assumiria publicamente uma posição contrária àquilo que acredito, como a ANCINAVE por exemplo. Nunca diria que o selo de classificação etária no teatro é coisa da ditadura, como fez o Jô:



"O argumento de que indicar a idade apropriada para uma criança ou adolescente entrar em contato com determinados conteúdos (como sexo, violência e uso de drogas) em obras artísticas no teatro, cinema e TV, segundo critérios públicos, é o mesmo que censurar – ou seja, proibir arbitrariamente que determinado conteúdo circule socialmente – é o mantra das emissoras de TV desde que a Portaria 264/07 entrou em vigor. Na entrevista, foi também o mantra do pitbull. "



Infelizmente não achei a entrevista no youtube para postá-la...



Em suma a questão que me importa é simplesmente que trabalhar para a Globo não significa apagar toda a história dela da minha cabeça ou começar a dizer o contrário... Trabalhar para a globo (entenda globo, record etc.) é ganhar o dinheiro como ator da forma mais lucrativa possível no Brasil... queiramos nós ou não...



O que não dá é, para proteger teu salário, sair por aí dizendo que tem medo disso e daquilo ou que o Lula é uma criação (é o renascimento do criacionismo) da USP, UNICAMP e UNESP como disse o não tão querido Carlos Vereza em entrevista ao Jô (devidamente linkado) isso não dá.





Agora se você tem coragem de prometer ao mundo que não ganharia dinheiro sujo (entenda que veio indiretamente do apoio à ditadura) vai ter que pesquisar bastante para não ser autônomo...